Clube dos Pescadores de Piabas & Cia
Belo Horizonte, 5 de agosto de 1999.
Prezados Senhores,
Na segunda quinzena de julho eu e minha turma, Pescadores de Piaba & Cia, realizamos nossa pescada anual. Desta vez escolhemos o rio Araguaia na divisa dos estados do Tocantins com Pará próximo a um lugarejo conhecido como Garimpinho. O rio não estava muito bom para peixe, mas trabalhamos muito atrás do bicho e conseguimos embargar algumas Pirararas, Cacharas, Palmitos, Barbados e soltamos mais um tanto. Tudo dentro das medidas permitidas por lei.
Numa tarde, por volta das 17:00hs, recebemos a visita de três barcos, um dos tripulantes se identificou como da polícia florestal e que desejaria realizar uma vistoria em nosso acampamento. Neste momento apenas eu e o Alon estava-mos no acampamento já que os demais amigos tinham descido o rio para mais uma rodada. Toda e qualquer vistoria por parte da polícia já deixa a pessoa meio apreensiva e não foi diferente desta vez, apesar de estar tudo dentro da legalidade, licenças, peixes na medida, lixo recolhido, acampamento limpo e tudo mais. As histórias de amigos que foram fiscalizados são as mais macabras possíveis, policiais com armas em punho, muita ignorância no trato com os colegas pescadores e por ai vai.
Mas desta vez foi diferente, o relacionamento com os fiscais (IBAMA, Polícia Florestal, Meio Ambiente e até um Promotor de Justiça) em torno de 10 pessoas tornou-se uma surpresa para nós. A cordialidade, não deixando de lado a premissa maior que era a fiscalização, prevaleceu. Primeiramente este oficial se identificou, bem como os demais colegas, e aqui veio. Perguntou se havia algum irregularidade com o pescado, com as embarcações e licenças e solicitou autorização para fiscalizar nossos freezer bem como as embarcações, pediu inclusive que alguém o acompanhasse. A vistoria transcorreu dentro dos conformes, apenas houve a apreensão de dois bicheiros. Questionado a respeito do porque da apreensão, já que não sabíamos como retirar um peixe de 30Kg da água sem a utilização do bicheiro, ele simplesmente nos deu uma aula tendo como enfoque maior a preservação do peixe. Compreendemos e inclusive repassamos aquele ensinamento para os demais. Esta apreensão no meu entendimento, ocorreu mais em função de nosso desconhecimento e o Policial compreendeu, tanto é que nos alertou e não criou aquela situação de punição que estaria em seu direito. Infelizmente não anotei o seu nome, mas quero aqui parabenizar toda esta turma que tem como enfoque maior a preservação da natureza sem esquecer do homem e principalmente da cordialidade dispensada.
Parabéns fiscais da Natureza continuem com este belo trabalho e plagiando uma frase retirada do panfleto a nós entregue digo:
Não herdamos a natureza de nossos pais e sim a tomamos emprestada de nossos filhos.
[]s
Sérgio Antônio Barros
Presidente da Turma Pescadores de Piabas & Cia.
sergio@almg.gov.br
Sérgio,
você pode não acreditar, mas eu estava no terceiro barco dos quais você se referiu. Quem fez a vistoria não foi o Ibama, e sim a Naturatins que é a fiscalização de Tocantins. O promotor ao qual você se referiu é o Promotor Geral de Justiça do Estado de Tocantins, que não é apenas um homem de gabinete e sim de muita ação.
Quero te dizer que em Tocantins todos são assim, desde o governador e por isso é um Estado no qual além de sentirmos muito orgulho, depositamos muita esperança que seja um exemplo para os outros Estados.
Um abraço
Otávio Rivolta
Pesca & Cia