Clube dos Pescadores de Piabas & Cia

Mais um dia de pesca


Olá,

Ontem, lá pelas 8hs da noite, preparei mais um engodo caprichado e engatei na ponta da linha de 30 libras que formava meu conjunto de carretilha Abu-7000, vara de carbono e anzol 10/0. Tudo equilibrado, carretilha destravada e lá foi mais um belo arremesso, não antes é claro de ter pedido ao companheiro Virgílio para dar uma corrida com o farol pelas tranqueiras que formavam aquele belo poção aonde estávamos apoitados. Linha esticada, alarme ligado e pronto, lá vai à vara para o secretário na popa do Naimalu. Como de costume, apesar das incessantes reclamações e gozeiras dos amigos, fiquei de costas para a vara (no bom sentido é claro) voltando às atenções para os companheiros que estavam no barco.

Até aquele momento apenas alguns poucos Mandis haviam batidos nas linhas causando até certa preocupação, pois o Edson, em sua eterna "estupidez" no manuseio com os ferrões, quase provoca outro acidente para a alegria minha e do Virgílio que quase mixamos nas calças de tanto rirmos.

A conversa tava animada, comentávamos a respeito de quase tudo e todos e sem percebermos as horas iam passando, cachaça íamos tomando, tira-gosto íamos comendo e peixe que bom .... nada!

Ao fundo no rio ia brotando, quase que despercebidamente, a lua cheia. No princípio bem devagar, como se estivesse com vergonha de mostrar a sua nudez, mas aos poucos toda a grandeza deste astro foi tomando conta da cena e sem percebermos estamos, nós ali, a admirar, na calada da noite, a beleza que tomava conta e sem uma única palavra sentimos a emoção que é fazer parte deste mundo, desta criação de meu Deus.

Subitamente o som do alarme, da minha Abu 7000, tirou-nos deste transe todo, Edson que tava mais prá lá do que prá cá, enrolado em seu colete gritou:

- Bacana olha a sua vara!!!
Virgílio, em sua calma, comentou:
- Tem peixe, no qual foi retrucado por mim:
- É apenas mais um Mandi.

Atenção total no barco, neste momento eu já havia girado a minha cadeira ficando de frente para a vara, que ainda permanecia no secretário. Segundos, que mais pareciam horas, se passaram e o tão esperado som do alarme não veio. Puro engano, já tinha "baixado a guarda" quando a linha esticou de vez e não parou mais, de um pulo tirei a vara do secretário e coloquei-me de pé para trabalhar e tentar domar aquela fera que com certeza não entregaria os pontos tão cedo.

Gritei para o Virgílio e Edson recolherem as demais linhas pois o "bicho" bruto era e daria trabalho, minha experiência dizia-me que de pequeno não tinha nada, a vara de carbono envergava em seu limite, todo o conjunto mostrava a força tremenda que havia na ponta da linha. Virgílio, em sua tranqüilidade peculiar, me pedia calma, já o Edson, agitado gritava, dava pulinhos e tudo mais hehehehe.

Sabia que não seria fácil a briga, muitas tranqueiras no barranco, o barco preso e a noite eram elementos que jogavam contra o sucesso daquela captura, apesar da Lua querer ajudar iluminando como se fosse mais uma companheiro no Naimalu. Nesta hora lembrei-me dos conhecimentos passados pelo capitão Humberto e conferi a regulagem do equipamento que estava perfeita, só me restava mesmo trabalhar com calma.

A certeza de que era um peixe de couro estava clara, principalmente depois que a linha correu para o meio do rio, querendo atravessá-lo e subir rio acima. É Surubim, gritei.

Algum tempo se passou sem que o "bruto" desse cara de cansado, tomava linha e eu, na minha santa ignorância, tentei frear com o dedo, ah .. ah nem preciso dizer que fritou né!

É incrível como a ansiedade para ver o que está na ponta da linha toma conta de você, por mais que a gente pesque, a emoção de ver a linha esticada sempre existirá, não consigo entender e muito menos achar uma razão plausível para tanta alegria, num ato até certo ponto, digamos ... sei lá.

Bom, voltando para a briga, eu transpirava tentando domar a fera e nada do bicho cansar, pelo menos linha não saia mais, mas também não conseguia recolher, 15 minutos haviam se passado e nós ali, Virgílio com o passaguá na mão, fazer o que com isso é que eu não sei mas tava lá, o Edson aos berros perguntando pelo bicheiro e eu rindo dele, bicheiro no Naimalu? Por fim a briga pendia para o meu lado, alguns metros de linha foram recolhidos e consegui aproximá-lo do barco e ver seu rebocho, mas por uma infelicidade o Dr. Virgílio meteu o facho do farol na água e ao ver a claridade, e como se estivesse zombando da gente, o "bruto" simplesmente colocou a linha nas costa e foi embora como se nada tivesse acontecido. Mais adrenalina foi despejada em nossas veias, era hilariante ver a agitação no Naimalu, quase que não nos contíamos dentro do barco.

Puxa daqui, estica dali, um verdadeiro cabo de guerra estava travado. Por fim consegui, mais uma vez, aproximar o bruto para a beirada do barco e só então conseguimos ver o tamanho da encrenca. Era grande, era grande, era grande .....

Quase vinte e cinco minutos se passaram e lá estavam três grandes companheiros a admirar aquele belo animal. A exaustão era geral, sem forças para tentarmos jogar o "bruto" para dentro do Naimalu ficamos ali a contemplar, iluminados pelo luar, aquele belo "guerreiro".

Era um Pintado e pelo porte deveria ter seus 50 quilos ou mais. Ficamos imaginando o tempo de vida, as batalhas travadas para conseguir o alimento do dia-a-dia, de quantos anzóis conseguiu escapar, quantas linhas arrebentou, quantas e quantas redes furou, quantos filhotes gerou, é .... era um vitorioso e estava ali sendo admirado por mim, Virgílio, Edson, Naimalu e a Lua. Foi quando num rompante de energia, como que dizendo "Estou apenas brincando com vocês", o "bruto" sacudiu com vigor a cabeça fazendo com que a linha em um único golpe se partisse, tudo isso em frações de segundos não dando tempo para esboçarmos qualquer reação e lá se foi majestosamente para o fundo do rio aquele "brutamonte" que com certeza foi grande em sua briga.

No Naimalu três companheiros se entreolharam e como que em um passe de mágica gritaram, se abraçaram e agradeceram aquela oportunidade de estar ali e conhecer o verdadeiro dono do rio dando por encerrada a batalha daquela noite.

No acampamento já estavam presentes todos os outros companheiros, cada um com as suas histórias, histórias para serem contadas, histórias para serem ouvidas não só uma única vez mas em toda ocasião em que velhos e bons amigos se reúnam pelo simples fato de se sentirem bem com a companhia do outro e sem interesse algum.

E mais um dia completamos na certeza que lembranças teremos, saudades sentiremos e muitos sonhos sonharemos hehehehe.

Um puta abraço e inté.

[]s
Bakana.

Resposta do Amigo Cláudio
Meu amigo comigo foi diferente, na noite do ultimo dia 23/01 eu estava um tanto desanimado com todo este calor que esta fazendo, e custei a pegar no sono. Como em um passe de mágica me deparei na barranca de um rio que eu não sei qual é, mais já estou supondo que seja o GUAPORÉ. Acompanhado pelos AMIGOS Bola, Alon, Bakana, Humberto, Vírgilio, Artur, Edson, Feio digo Belo, Sr. Osvaldo, meu irmão Pedrão, Carlinhos, quando chegou, para mim o maior dos pescadores o Sr. Zé Martins (meu pai), com uma garrafinha de cachaça e uma panela cheia de tira-gosto e foi logo dizendo "e aí, nós viemos aqui foi para comemorar putada, afinal de contas não é todo dia que um clube de pesca completa dez anos então vamos beber", neste instante eu acordei com uma sede, fui de encontro aquela garrafinha de reserva especial servi uma dose fiz uma oração e um brinde e bebi uma talagada ajeitada. Se um dos meus amigos na manhã do dia 24/01 acordou de ressaca sem entender o porque, fique sabendo naquela noite nós estávamos comemorando o CLUBE DE PESCADORES DE PIABA, e tenho dito.
Inté
OCráudio

Resposta do Amigo Artur
belíssima historia bakana....
afinal, para todo pescador acaba assim:
nós sempre perdemos o maior peixe...
hehehehehehe.
[]s.

Resposta do Amigo Mirabeau
Esse é meu amigo Bakana! Serginho, babei com a estória e estou doido para chegar Julho. Mas enquanto isso, vamos tornar inapagáveis os momentos célebres que já vivemos às beiras dos rios desse Brasil de meu Deus.

Um abraço a todos. Hoje eu não vou à reunião porque estarei em Bonfim com meu sócio Cícero.Semana que vem eu estou dentro.

Resposta do Amigo Petrônio
felizes são aqueles que podem contemplar e reparatir tão bela experiência e aventura como esta, espero ter a mesma sorte na próxima pescada.
Um abraço.

 

 

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